"O que ha em mim e sobretudo cansaco
Nao disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaco assim mesmo, ele mesmo,
Cansaco.
A subtileza das sensacoes inuteis,
As paixoes violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguem.
Essas coisas todas.
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaco,
Este cansaco, Cansaco.
Ha sem duvida quem ame o infinito,
Ha sem duvida quem deseje o impossivel,
Ha sem duvida quem nao queira nada -
Tres tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possivel,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou ate se nao puder ser...
E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a media entre tudo e nada, isto e, isto...
Para mim so um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaco,
Um supremissimo cansaco.
Issimo, issimo. issimo, Cansaco..."
Alvaro de Campos
Friday, December 12, 2008
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