«Na noite de São João
disse-me o santo padroeiro
que o Porto do meu coração
tem encanto o ano inteiro.»
Thursday, June 26, 2008
Tuesday, June 10, 2008
Um serão diferente....A Rádio Comercial levou-nos ao camarim do Paulo Gonzo...09.06.2008

«Foste entrando sem pedires
E marcaste os teus sinais
Tatuaste a minha vida
Ferro e fogo e muito mais
Vasculhaste os meus segredos
e eu deixei
Sem reverdes nem pudor
Invadiste os meus sentidos
o qu'eu nao fiz por amor
e deixaste a minha vida
mae perdida
Neste beco sem saida
Dei-te quase tudo
e quase tudo foi demais
dei-te quase tudo..
Leva agora os teus sinais
Obrigaste-me a quebrar todas as leis
e deixaste-me ao sabor da loucura
dei-te os dedos e os anéis
E o que tinha de melhor»
E uma asa voa....

Eu não sei quem te perdeu
Quando veio,
Mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tão leves e banais.
E pediu-me
Que lhe levasse o medo,
Eu disse-lhe um segredo:
"Não partas nunca mais".
E dançou,
Rodou no chão molhado,
Num beijo apertado
De barco contra o cais.
E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu.
Abraçou-me
Como se abraça o tempo,
A vida num momento
Em gestos nunca iguais.
E parou,
Cantou contra o meu peito,
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais.
E partiu,
Sem me dizer o nome,
Levando-me o perfume
De tantas noites mais.
E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu
Pedro Abrunhosa
Sunday, June 1, 2008

" - Só conhecemos as coisas que prendemos a nós - disse a raposa. - Os homens, agora, já não têm tempo para conhecer nada. Compram as coisas já feitas nos vendedores. Mas como não há vendedores de amigos, os homens já não têm amigos. Se queres um amigo, prende-me a ti!
- E o que é que é preciso fazer? - perguntou o principezinho.
- É preciso ter muita paciência. Primeiro, sentas-te um bocadinho afastado de mim, assim, em cima da relva. Eu olho para pelo canto do olho e tu não dizes nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas todos os dias te podes sentar um bocadinho mais perto...
O principezinho voltou no dia seguinte.
- Era melhor teres vindo à mesma hora - disse a raposa. Se vieres, por exemplo, às quatro horas, às três, já eu começo a ser feliz. E quanto mais perto for da hora, mais feliz me sentirei. às quatro em ponto já hei-se estar toda agitada e inquieta: é o preço da felicidade! Mas se chegares a uma hora qualquer, eu nunca saberei a que horas é que hei-se começar a arranjar o meu coração, a vesti-lo, a pô-lo bonito... São precisos rituais."
ANTOINE SAINT-EXUPÉRY, in "O Principezinho"
Às vezes sinto-me como um porto....
Às vezes sinto-me como um porto...um porto de passagem...de partidas e regressos....de viagens sem volta, de encontros, de desencontros
E bem lá no fundo, sinto-me perdida entre essa multidão que entra e sai e deixa marcas sem sentido....marcas que ficam e que por vezes causa a tristeza.....aquela tristeza que sentimos quando acenamos a alguém que parte....O adeus que provoca a tristeza....
E por esse porto onde passam, esquecem o que queriam, o bem que esse porto lhes proporcionou, o que no fundo fez a multidão parar....O porto fica sempre esquecido porque é apenas a passagem! A passagem do regresso ou da partida! O navio nunca fica num porto.....chega e depois parte. O porto é importante porque naquele momento é o ponto de partida ou chegada mas depois fica no olhar distante de quem segue no navio.....
Quando me sinto como um porto, sinto que estou lá e acompanho a multidão. Mas depois da partida e do regresso, o porto despede-se da multidão e fica vazio...sem ninguém. O silêncio faz esquecer o burburido da multidão....
Mais uma vez o navio partiu...deixando o porto na esperança de um dia o navio e a multidão ficarem e não partirem
O nó no estômago...
«...o que me deixa um pouco ou tanto com a sensação de nó no estômago, não é pela 'perda', mas sim porque me parece que a vida em alguns aspectos é um ciclo vicioso. Coisas que acontecem exactamente na mesma altura passado um ano. Coisas que por si só são muito idênticas não pela intensidade dos acontecimentos, mas pela forma e motivos que levam aos acontecimentos. É por isso que me deixa a pensar que as coisas não podem acontecer por acaso, há muitas coincidências na vida...»
Os cometas e as estrelas
«Há pessoas estrelas. Há pessoas cometas. Os cometas passam. Apenassão lembrados pelas datas que passam e retornam. As estrelas permanecem. Os cometas desaparecem. Há muita gente cometa. Passa pela nossa vida apenas por instantes, gente que não prende ninguém e a ninguém se prende. Gente sem amigos. Gente que passa pela vida sem iluminar, sem aquecer, sem marcar presença. Há muita gente cometa. Brilham apenas por instantes nos palcos da vida e com a mesma rapidez com que aparecem, também desaparecem....importante é ser estrela...estar presente....marcar presença...estar junto....ser luz....ser calor....ser vida....Amigo é estrela. Podem passar anos, podem surgir distâncias mas a marca fica no coração. Ser cometa é não ser Amigo...é ser companheiro por instantes....é explorar sentimentos....é ser aproveitador das pessoas e das situações....é fazer acreditar e desacreditar ao mesmo tempo. A solidão é resultado de uma vida cometa. Ninguém fica. Todos passam. E a gente também passa pelos outros.
As estrelas .... pode-se contar com elas....são uma presença....são aragem nos momentos de tensão....são luz nos momentos escuros....são pão nos momentos de fraqueza....são segurança nos momentos de desânimo. Ser estrela neste mundo passageiro, neste mundo cheio de pessoas cometas é um desafio, mas, acima de tudo, uma recompensa.»
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